Odontograma é o diagrama gráfico em que o dentista registra, dente a dente, a condição da boca do paciente: cáries, restaurações, ausências e tratamentos planejados ou realizados. Cada dente recebe um número no sistema FDI (ISO 3950) e cada situação é marcada com símbolos e cores definidos em uma legenda. Ele faz parte do prontuário odontológico.
Este guia foi montado como material de consulta rápida. Abaixo você encontra a tabela de numeração FDI completa, a legenda de símbolos e cores e um exemplo preenchido com paciente fictício. Pela ótica de gestão, o odontograma é um dos registros mais padronizáveis da clínica, e é essa padronização que permite medir inconsistências e retrabalho entre profissionais.
O que é odontograma e para que serve?
O odontograma, também chamado de carta dentária ou diagrama dental, é a representação gráfica da dentição do paciente dentro do prontuário odontológico. Nele ficam registrados o estado de cada dente e das suas faces, o que já foi tratado e o que ainda precisa ser feito.
Na prática, ele cumpre cinco funções operacionais:
- Registrar o estado inicial: fotografia da boca na primeira consulta, base de comparação para todo o acompanhamento.
- Planejar o tratamento: separa visualmente o que existe do que precisa ser feito.
- Acompanhar a evolução: cada atualização datada mostra o que mudou entre as consultas.
- Apoiar a comunicação com o paciente: o desenho facilita explicar o plano sem depender só de termos técnicos.
- Dar respaldo documental ao dentista: o registro do que foi encontrado e feito ajuda a documentar o atendimento.
Ele é feito na primeira consulta, depois do exame clínico, e atualizado a cada procedimento concluído ou mudança de condição. Um odontograma sem data de atualização perde valor como indicador, porque ninguém sabe se ele reflete a boca de hoje ou a de dois anos atrás.
Como funciona a numeração dos dentes (sistema FDI / ISO 3950)?
O sistema FDI (ISO 3950) identifica cada dente com dois dígitos: o primeiro indica o quadrante e o segundo indica a posição do dente, contada do incisivo central em direção ao fundo da boca. Os lados são sempre os do paciente, não os do profissional.
Dentição permanente (32 dentes)
- Quadrante 1 (superior direito): 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18
- Quadrante 2 (superior esquerdo): 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28
- Quadrante 3 (inferior esquerdo): 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38
- Quadrante 4 (inferior direito): 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48
- Posição do segundo dígito: 1 = incisivo central; 2 = incisivo lateral; 3 = canino; 4 = primeiro pré-molar; 5 = segundo pré-molar; 6 = primeiro molar; 7 = segundo molar; 8 = terceiro molar (siso).
Dentição decídua (20 dentes)
- Quadrante 5 (superior direito): 51, 52, 53, 54, 55
- Quadrante 6 (superior esquerdo): 61, 62, 63, 64, 65
- Quadrante 7 (inferior esquerdo): 71, 72, 73, 74, 75
- Quadrante 8 (inferior direito): 81, 82, 83, 84, 85
- Posição do segundo dígito: 1 = incisivo central; 2 = incisivo lateral; 3 = canino; 4 = primeiro molar; 5 = segundo molar.
Dica de leitura: o número 36 lê-se "três-seis", não "trinta e seis". O 3 indica o quadrante inferior esquerdo do paciente e o 6 indica o primeiro molar. Logo, 36 é o primeiro molar permanente inferior esquerdo.
Quais são os tipos de odontograma?
Os odontogramas variam em três eixos: o desenho (geométrico ou anatômico), a faixa etária (adulto, infantil ou misto) e o suporte (papel ou digital). Nenhuma combinação é universalmente superior, e a escolha depende do volume e do fluxo de trabalho da clínica.
Geométrico vs. anatômico
- Geométrico: usa formas simples, como círculos e quadrados divididos em partes, para cada dente. Prós: é rápido de preencher e ocupa pouco espaço. Contras: dá menos noção da anatomia e pode dificultar a marcação de lesões em faces específicas.
- Anatômico: usa o formato real de cada dente. Prós: facilita marcar faces, raízes e restaurações com mais precisão. Contras: o desenho é mais complexo e o preenchimento manual leva mais tempo.
Adulto, infantil e misto
O odontograma adulto traz os 32 dentes permanentes. O infantil traz os 20 decíduos. O misto mostra decíduos e permanentes ao mesmo tempo, o que é necessário durante a dentição mista, fase em que a criança troca os dentes e os dois grupos convivem na boca.
Papel vs. digital
- Papel: custo inicial baixo e nenhuma curva de aprendizado. Contras: rasuras, dificuldade de comparar datas, risco de perda e necessidade de espaço físico para guarda.
- Digital: histórico por data, legenda padronizada e consulta rápida. Contras: exige cuidado com backup, controle de acesso e adequação às regras de prontuário eletrônico.
Uma clínica com um único profissional e baixo volume pode operar bem no papel. À medida que cresce o número de profissionais e de pacientes, aumenta o custo de manter registros consistentes à mão.
Quais cores e símbolos usar no odontograma?
A convenção mais comum usa azul para o que já está realizado ou existente e vermelho para o que precisa de tratamento. Não existe uma legenda única obrigatória: cursos de odontologia, conselhos e clínicas podem adotar variações, então o essencial é padronizar e registrar a legenda na própria ficha.
Legenda de consulta (convenção comum)
- Cárie: face preenchida em vermelho.
- Restauração existente: face preenchida em azul.
- Restauração necessária: contorno ou preenchimento em vermelho na face indicada.
- Dente ausente: X em azul sobre o dente.
- Extração indicada: X em vermelho sobre o dente.
- Coroa protética: círculo em azul ao redor da coroa.
- Implante: símbolo em azul sobre a região do dente ausente, conforme a legenda adotada.
- Tratamento endodôntico realizado: linha em azul sobre a(s) raiz(es).
- Tratamento endodôntico necessário: linha em vermelho sobre a(s) raiz(es).
- Selante: letra S ou marcação em azul na face oclusal.
Como marcar as faces do dente
Cada dente tem até cinco faces: vestibular (voltada para bochecha ou lábio), lingual ou palatina (voltada para a língua ou o palato), mesial (voltada para o centro da arcada), distal (afastada do centro) e oclusal ou incisal (superfície de mastigação ou borda cortante). Em uma dentição completa, isso representa até 160 superfícies a registrar, e por isso a clareza da legenda pesa tanto na leitura posterior.
Como preencher o odontograma passo a passo?
O preenchimento segue uma sequência de cinco etapas, aplicável tanto ao papel quanto ao digital. A ordem importa porque evita misturar o que existe com o que é planejado.
- Identificar a dentição: adulto, infantil ou misto, para usar o modelo correto.
- Anotar as ausências: marcar primeiro os dentes que não estão na boca.
- Marcar as condições existentes: restaurações, coroas, tratamentos endodônticos e implantes já presentes, em azul.
- Marcar os procedimentos necessários: cáries e demais necessidades, em vermelho.
- Datar e assinar: toda atualização leva data e identificação do profissional responsável.
Exemplo preenchido (paciente fictício)
Atenção: o caso abaixo é fictício e serve apenas para ilustrar o preenchimento. Não representa paciente real.
Paciente fictício "A. B.", adulto, dentição permanente. Leitura das marcações:
- Dente 16: face oclusal em vermelho. Primeiro molar superior direito com cárie oclusal, a tratar.
- Dente 25: face oclusal em azul. Segundo pré-molar superior esquerdo com restauração existente.
- Dente 38: X em azul. Terceiro molar inferior esquerdo ausente.
- Dente 46: linha em azul sobre as raízes. Primeiro molar inferior direito com tratamento endodôntico realizado.
Ao final, o profissional registra a data da avaliação e assina. Na consulta seguinte, se o 16 for restaurado, a marcação vermelha é atualizada para azul com nova data, preservando o histórico.
Erros comuns
- Numeração trocada: confundir lados ou quadrantes (por exemplo, 36 no lugar de 46).
- Legenda inconsistente: cada profissional usando símbolos diferentes na mesma clínica.
- Não datar atualizações: impossibilita saber o que mudou e quando.
- Misturar existente e planejado: sem a distinção de cor ou símbolo, o plano e o histórico se confundem.
Qual a diferença entre odontograma, periograma e ficha clínica?
O odontograma registra a condição dos dentes, o periograma registra a saúde periodontal e a ficha clínica registra o histórico de saúde e a queixa do paciente. São documentos complementares, e o odontograma é uma parte do prontuário, não o prontuário inteiro.
- Odontograma: objetivo de mapear a condição dos dentes. Usado na primeira consulta e a cada atualização. Registra cáries, restaurações, ausências, coroas, implantes e tratamentos planejados.
- Periograma: objetivo de avaliar gengiva e tecidos de suporte. Usado na avaliação periodontal. Registra profundidade de sondagem, sangramento, mobilidade e outros parâmetros periodontais.
- Ficha clínica e anamnese: objetivo de documentar o histórico de saúde e a queixa principal. Usada no início do atendimento e atualizada quando houver mudança. Registra doenças, medicamentos, alergias e hábitos.
Para detalhar o conjunto, veja o que o prontuário do paciente deve conter e o modelo de ficha de anamnese.
O odontograma tem valor legal? Guarda e sigilo
O odontograma integra o prontuário odontológico, que o Código de Ética Odontológica, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), exige que o profissional mantenha. Para prazos e regras específicas, confirme a norma vigente diretamente no CFO e no CRO do seu estado.
A Lei 13.787/2018 regula a digitalização e o uso de sistemas informatizados para guarda de prontuários. Em regra, o prazo mínimo de guarda é de 20 anos a partir do último registro. Essa contagem faz do armazenamento um custo de longo prazo, e é um ponto a considerar na decisão entre papel e digital.
Os dados de saúde são classificados como sensíveis pela LGPD (Lei 13.709/2018), o que pede controle de acesso e base legal adequada para o tratamento, incluindo o consentimento quando aplicável. Leia mais em termo de consentimento e LGPD na clínica. Particularidades devem ser confirmadas com o CRO ou com a assessoria jurídica da clínica.
Odontograma digital: o que muda na rotina da clínica?
O odontograma digital troca o desenho manual por um modelo dentro do prontuário eletrônico, com mais padronização e rastreabilidade. As vantagens práticas costumam ser quatro:
- Histórico por data: cada alteração fica registrada, facilitando comparar a evolução.
- Leitura sem rasuras: o registro permanece legível, sem depender da caligrafia.
- Legenda padronizada: todos os profissionais usam os mesmos símbolos e cores.
- Acesso por perfil: cada usuário vê apenas o que o seu papel permite.
No Consultório Fácil, o odontograma funciona como um modelo do prontuário eletrônico, e a assinatura digital com certificado ICP-Brasil (PAdES) está disponível em todos os planos. A ideia é ajudar a manter o registro organizado e assinado, sem substituir a conferência das regras do CFO e do CRO.
Checklist para avaliar qualquer sistema
- Histórico de alterações: quem mudou o quê e quando.
- Legenda clara: símbolos e cores visíveis e consistentes.
- Registro de acessos: rastreio de quem consultou o prontuário.
- Backup: rotina de cópia de segurança compatível com o prazo de guarda.
Para uma visão mais ampla, veja o que não pode faltar em um sistema para clínica odontológica.
Se a sua clínica ainda não padronizou o odontograma, comece medindo: confira quantos prontuários têm legenda registrada, quantos estão datados e quantas atualizações trazem a assinatura do profissional. Compare esses números entre os dentistas e monitore a evolução mês a mês. Quando quiser conhecer o odontograma do Consultório Fácil, o convite é sem pressão de venda: leia o guia de sistema acima e avalie com o checklist.
Perguntas frequentes
Como é feito o odontograma?
Na primeira consulta, o dentista examina a boca, identifica a dentição e marca cada dente com o número FDI, símbolos e cores conforme a legenda, datando e assinando ao final. A sequência completa está na seção de passo a passo deste guia.
Como ler um odontograma?
Leia primeiro a legenda, depois o número do dente (quadrante mais posição), depois o símbolo e a face marcada. Por exemplo, o dente 36 é o primeiro molar permanente inferior esquerdo; se a face oclusal estiver em vermelho, há cárie oclusal a tratar.
Qual a diferença entre odontograma e periograma?
O odontograma registra a condição dos dentes, como cáries, restaurações e ausências. O periograma registra a saúde periodontal, ou seja, gengiva e tecidos de suporte, com dados como profundidade de sondagem e sangramento. São documentos complementares.
Para que serve um odontograma?
Serve para registrar o estado atual da boca, planejar e acompanhar tratamentos, comunicar o plano ao paciente e documentar o atendimento no prontuário odontológico.
Quais são as cores usadas em um odontograma?
A convenção comum usa azul para o que está realizado ou existente e vermelho para o que precisa de tratamento. Não há uma legenda única obrigatória: mantenha uma legenda padronizada na clínica e registrada na ficha, pois cursos e conselhos podem adotar variações.
Quantos dentes tem o odontograma adulto e o infantil?
O odontograma adulto tem 32 dentes permanentes e o infantil tem 20 dentes decíduos. O odontograma de dentição mista mostra decíduos e permanentes ao mesmo tempo.
O odontograma pode ser digital?
Sim, desde que o prontuário eletrônico respeite as regras de guarda, sigilo e assinatura. Confirme os requisitos atuais com o CFO e o CRO do seu estado, além do que a Lei 13.787/2018 e a LGPD preveem.